Porque reduzir velocidades é fundamental para a segurança viária?

April 14, 2016

 

Este artigo foi originalmente publicado em espanhol no Jornal El Tiempo, em 4 de março, 2016. Também foi postado no TheCityFix Mexico e traduzido para o inglês no TheCityFix.

***

Dois anos atrás, em uma sessão de treinamento no Banco Mundial, em Washington, o Dr. Kavi Bhalla da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health pediu aos participantes que encarassem suas próprias palmas das mãos. O encontro contava com profissionais de todo o mundo que trabalham com os governos nacionais e locais sobre a política e os projetos de transporte. Quando as pessoas, ainda hesitantes, acataram seu chamado e encararam as próprias mãos, o Dr. Bhalla sentenciou: “suas mãos estão manchadas de sangue”.

Começar assim sua palestra foi escolhida por Bhalla para demonstrar que aqueles responsáveis pelo planejamento das estradas têm cometido um grave erro há mais de 100 anos. Exatamente por utilizarem a capacidade das estradas e velocidade como os principais objetivos do seu trabalho. Quando, na verdade, esta abordagem tem sido um fracasso monumental. Não só a construção de estradas não melhora o tráfego em áreas urbanas, como também aumenta o número de mortos e feridos graves. Vias expressas e rodovias urbanas tornaram-se “estacionamentos” durante as horas de pico e armadilhas mortais nas outras horas do dia.

Mais espaço viário = mais congestionamento, mais fatalidades

Economia básica explica como a mobilidade não melhora com maior capacidade para carros. Desde Ibn Taymiyyah, no século XIV e John Locke em 1691, ficou claro que a demanda por um bem ou serviço aumenta à medida que o preço baixa, e isso serve para tudo. No tráfego rodoviário, o princípio é o mesmo: quando o tempo de viagem cai, o tráfego de automóveis sobe. A capacidade adicional que foi adquirida por meio da expansão da estrada é perdida para o tráfego devido à demanda induzida (também conhecida como “efeito rebote”), após 3-4 anos. Como Lewis Munford escreveu em 1963: “Aumentar a largura da estrada para reduzir o congestionamento é o mesmo que afrouxar o cinto para combater a obesidade.”

Ao mesmo tempo, a construção de vias expressas urbanas reduz a segurança rodoviária, particularmente nos estágios iniciais do desenvolvimento de uma cidade. Como as estradas são ampliadas para acomodar mais tráfego, as velocidades médias sobem – resultando no aumento significativo do risco de mortes e ferimentos graves. Um impacto em alta velocidade está além do que uma pessoa pode sobreviver. Isso significa colocar os pedestres em maior risco. A probabilidade de um pedestre morrer em um acidente quando atingido por um carro a 50 km/h é de 85%.

Please reload

Posts Em Destaque

Haddad planeja pagar para paulistano trocar ônibus ou carro por bicicleta

July 18, 2016

1/1
Please reload

Posts Recentes

November 28, 2017

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square