Pensei que fosse uma pedra, afirma motorista que atropelou ciclista em SP

July 7, 2016

 

O motorista preso nesta quarta-feira (6) por atropelar e matar o vigia noturno Dorgival Francisco Sousa, na noite de domingo (3), na rodovia Imigrantes, confessou o crime e afirmou à Polícia Civil que, no momento do impacto, achou que tivesse sido atingido por uma pedra.

 

Em audiência de custódia na tarde desta quinta, a juíza Juliana Fernandez, de São Bernardo do Campo (SP), entendeu que não houve flagrante na prisão, mas acolheu o pedido do Ministério Público e decretou prisão temporária de cinco dias, prorrogável por mais cinco. Ele deve ser levado ao Centro de Detenção Provisória de Diadema (SP).

 

Sérgio Meliunas, 45, motorista de ônibus fretado há mais de 20 anos, segundo a Polícia Civil, disse que fugia de uma tentativa de assalto quando atropelou o ciclista.

 

Meliunas afirmou que ia, com mais três amigos, a um restaurante na região do Jabaquara, zona sul de São Paulo. Ao entrar na Imigrantes, percebeu que um pneu estava mais baixo e parou no acostamento para verificar, disse. Assaltantes teriam se aproximado de moto e, para evitar o roubo, o motorista teria fugido e atropelado o ciclista adiante.

 

Ele afirmou, porém, que não soube do atropelamento no momento da batida e achou se tratar de uma pedra. Só percebeu que havia atingido uma pessoa quando viu o braço do ciclista e o jogou na via cerca de 2 km adiante, disse em depoimento à polícia.

 

A Polícia identificou o veículo a partir de uma denúncia. Eles encontraram o carro danificado na casa de Meliunas e prenderam o motorista em flagrante nesta quarta na empresa em que trabalha, de transporte rodoviário.

 

O delegado Miguel Ferreira da Silva, titular do 4° DP de Diadema e responsável pelo caso, afirma que a versão do motorista é inconsistente. Ele diz que imagens de câmeras de seguranças não mostram quaisquer motociclistas abordando ou perseguindo veículos. O delegado disse ainda que o motorista passou por um posto da Polícia Rodoviária em que poderia ter denunciado a tentativa de assalto e que o sangue de dentro do carro deixa claro que não se tratava de uma pedra.

 

"O braço da vítima, como vocês podem ver na imagem do carro, ele adentrou o veículo pelo para-brisa. E existe uma quantidade enorme de material hemático [sangue] e até de pedaço de carne humana dentro daquele veículo, conforme a perícia já constatou. Não é uma mão, um dedo. É um braço inteiro. É muito grande para ele dizer que não viu o braço. Ele alega que percorreu dois quilômetros sem saber que o braço estava dentro do carro", afirmou o delegado.

 

Além disso, o motorista não soube dar informações sobre as outras pessoas que estariam com ela dentro do carro, segundo sua versão. Meliunas negou que estivesse bêbado. O delegado afirma que, pelo tempo decorrido, não é possível confirmar a versão com exames clínicos. O motorista voltou para casa após o atropelamento, tomou banho e seguiu para seu trabalho. Ele afirma que não se entregou à polícia mesmo após a repercussão na imprensa por não poder pagar por um advogado.

 

O motorista deve ser autuado por homicídio doloso (quando há a intenção de matar), omissão de socorro e fuga do local do crime. De acordo com o delegado, ele tem outras ocorrências registradas por violência doméstica e um acidente no interior do Estado com vítima fatal –o delegado não soube dar informações sobre a culpa de Meliunas nesse acidente.

 

Ele foi localizado pela polícia graças a identificação do veículo por câmeras de segurança. O Vectra prata que atropelou Dorgival também foi apreendido.

 

 

Dorgival Francisco Sousa, 59, ia para o trabalho de bicicleta por volta das 18h –ele era segurança noturno–, pelo acostamento da estrada no sentido São Paulo, no km 17,5, quando foi atingido por um veículo.

 

O impacto cortou fora um dos braços de Sousa, que morreu no local. O membro, cortado na altura do ombro, foi encontrado a mais de um quilômetro de distância da vítima, na avenida dr. Ulysses Guimarães, em Diadema. O motorista não prestou socorro e só teria parado 1,5 km depois, apenas para se livrar do braço.

 

O atropelamento não foi registrado em vídeo, mas imagens de câmeras de segurança da rodovia mostram o carro primeiro trafegando pelo acostamento e, depois, danificado do lado direito.

 

BRINCALHÃO

 

Dorgival Francisco Sousa foi enterrado na manhã da última terça (5) no cemitério municipal de Diadema, na Grande São Paulo.

 

Dorgival era conhecido pelas pessoas próximas pelo espírito brincalhão. Seu irmão, Adimilson Francisco Sousa, conta que, quando recebia alguma visita em casa, costumava dizer: "A Jurema saiu, quando ela chegar faz um café para vocês". A Jurema, no caso, não existia. Todos riam e ele fazia o café, conta o irmão.

 

Ele pedalava 12 km todos os dias para trabalhar no turno da noite de vigilância em uma empresa de transporte, das 18h às 6h.

 

 

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